Ái e todas as fotinhos lindas no Instagram das meninas saradas, ainda tive coragem e abri o jornal, vi no caderno ela a materia da barriga tanquinho, e eu aqui explodindo, aquela sensação da cabeça querendo alargar, o Gustavo já foi caminhar na praia, o Claudinho Schleder, meu amigo de São paulo já ligou, está hospedado no Marinão, minha voz saiu rouca no telefone...o animal que mora dentro de mim urge para a luz do dia mas meus olhos ficam apertados com tanta claridade. Mas gosto de ficar sozinha, gosto quando vem a vontade de sentar aqui e deixar sair alguma coisa. Isso também é detox. Levando à exaustão as questões você as desmistifica e, se o que não tem remédio remediado está, parece que me faz bem esse alívio de colocar as coisas prá fora, elas tem que ir embora, não podem grudar nas paredes do meu cérebro e servir de glúten intoxicante. O glútem gruda nas paredes do seu intestino, dizem, e forma uma camada que impede de você absorver os nutrientes dos alimentos. Estamos vivendo a época dos gordos desnutridos.
Mas mudando de alho para bugalhos, como gosto quando Moraes me pede prá cantar prá ele, canta aquela em françês, pediu outro dia, na mesa, depois do show do Totonho (Antonio Villeroy), ele tava com um casal amigo, que por acaso estudou na mesma sala que meu tio Fernando. Estão casados há 41 anos!! E se divertindo junto, isso foi o que achei mais legal, no final já estavam alucinados, acho que dividiram uma garrafa de vinho durante o show, e trocavam brincadeiras internas. O máximo! Vi até que ele arriscou uma dançinha, ela ria..Você chama isso de felicidade né? Adorei eles. Ontem eles também estavam lá, mas tiveram que ir embora de lá mesmo, e não continuar a noite como nós, aventureiros, porque também tava prá lá de Bagdá, contou Moraes, que ainda desculpou o amigo dizendo ele é meu parceiro há anos, tava empolgado, é diferente. Tudo bem, não perguntei nada. Ele quis que eu cantasse Syracuse para o casal. Quando ouço essa música fico inebriada, é como se um feitiço tomasse conta de mim. Foi dificílimo produzi-la porque ela só tocada no violão pelo Henri Salvador, quem gosta de música sabe quem é, eu até o conheci no dia de seu aniversário em Sanary Sur mer, durante um festival anual que Totonho produziu durante anos na França. Sim, no violão do Henri Salvador, do modo como ele tocava você ouvia os pássaros cantando, a onda morna de alguma praia tahitiana acarinhando seus pés, e principalmente a brisa mansa dos trópicos. Somente um violão e a voz dele, mocinho no clip. Se você pesquisar no youtube você vai achar, e só de ouvir, vai entender perfeitamente o que estou falando. É um video sépia e você vai ficando hipnotizado. Você vai querendo que o mundo páre, a floresta em frente de mim entra pela sala, o cheio da brisa fresca me envolve, vem uma felicidade calma. E lembro da minha amiga no hospital, na incubadora, nascendo para uma nova vida e sinto alguma pena desses momentos que um dia vou deixar de ter. Mas eu não queria parar agora pra fazer nada, nem os meninos chegando aqui e me levando prá praia, hoje é Sabado, meu marido está correndo no calçadão, vai encontrar com Claudinho, outro amigo que veio de São Paulo, está hospedado no Marinão, mas eu já disse isso no outro post, o fato é que, por mim eu não saía daqui. Imagina o que faria eu, ouvindo uma gravação dessa, em que só com uma voz e um violão eu pude ir para um paraíso tropical? A troco de quê eu gravaria isso? Para ter mais uma gravação bonita? Mais bonita do que a do Henri? Mas Syracuse é um paraíso aonde eu quero estar, é aonde bebo dos meus sonhos e fortifico os encantos. É a nascente do meu canto. Na história da Gueixa Tropical, ela vai prá longe atrás de algo que pode estar em muitos lugares. Na hora em que é apresentada a música Syracuse, ela está triste. Está caminhando, voltando prá casa e é madrugada. Ela teve a pior noite de sua vida, sentiu-se abandonada e desvalorizada por quem mais amava. Foi escrachada, humilhada, agredida. E foi embora. Ela passa pela cidade sem movimento mas não queria estar ali. Então ela canta baixinho, fragilmente e acessa seu paraíso tropical particular, sua floresta oriental e chama por Syracuse, é lá que ela queria estar. Está sobre uma ponte mas que vida é essa que estou hoje aqui, sozinha, ela pensa. Mas não conclui, canta. Porque as vezes o canto é remédio também. Nessa hora a vida perdeu seu sentido e o rio que passa embaixo, ela mira esse rio, que diferença entre o rio e o céu? Sobe o rosto e mira as estrelas, continua cantando. Agora já não sente o peso de seu corpo, não sente mais peso. É como se flutuasse. Seu pedido foi atendido, eu não quero estar aqui, alguém ouviu o grito agudo de seu querer. Alguém ouviu e sorriu. Quando a gente sente isso, quer dizer que a mola do fim do poço finalmente zuniu você prá fora!
Foto: Do clipe que eu falei.

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