sábado, 20 de abril de 2013

Sabado de manhã, amor e rasterinha

As minhas maiores questões vieram sempre da discussão sobre o amor. Ser ou não ser amado deve ser uma das maiores importâncias do ser humano. E a maior a ser resolvida e libertada por ele. Felizmente ou infelizmente ninguém é obrigado a gostar de ninguém. Isso a gente descobre depois de achar um absurdo porquê que as pessoas tratam as outras com tanta diferença. Ora, absurdo é pensar que todo mundo tem que tratar todo mundo igual. Resolvi tomar o meu lado e ver as coisas diferentes. Resolvi me esforçar conscientemente para aceitar, em primeiro lugar, as pessoas que são totalmente diferentes a mim. Por exemplo, imagine alguém que sai armado por aí. Para mim não há nada mais frágil do que um ser humano que sai de casa com uma arma, ou no carro, ou consigo. Esse ser humano está com muito medo, medo de ser agredido, então ele precisa daquela arma. Alguns usam outras armas, como a agressão ou a doçura. Se estou segura de mim, a doçura impera na minha vida e no meu coração, eu vejo mais fácil a viagem de cada um e compreendo, mesmo sem achar certo. Se estou insegura ou triste, me sentindo desamada, o mundo já não sorri mais prá mim, parece que nem as flores e  cachoeiras, me amam mais. Pura ilusão. A ilusão equivocada é que cria esse ambiente aflito e faminto de amor. Ninguém fica vazio de amor por não ser amado. A gente fica vazio de amor porque não se conhece e não se dá o valor devido. E fica colocando a culpa nos que tem inveja de nós. Já são coitados aqueles que deixam a inveja imperar no coração, e serão massacrados de novo pela nossa raiva de desamor. Duplo erro. Guerra eterna. Quanto mais apegado você for ao material mais você vai sofrer e será cada dia mais limitado. Seu espaço será tão pequeno que nem caberão bolsas e sapatos no seu microcosmo.
Leia os mestres, mesmo os mais atrevidos e libertários como Osho, Simone, Anaïs, os franceses sarcárticos como Proust e Voltaire, tristes como Baudrillard, é sempre o amor ou o simulacro dele. Rs. E o que eu falo é que o amor vem de dentro. Talvez só quem é sozinho, ou melhor, tem essa forte sensação, é que começa a se curar de uma doença que é achar que o bom está no outro, que a sua felicidade depende do outro e que você ainda não chegou lá. Você precisa estar com pessoas importantes e ter muito dinheiro porque daí essa sensação passa um pouco e pára de encher nossa paciência, fica escondida dentro do carro carézimo, da calcinha pucci, do vestido valentido e no alto do salto da sandália de franja do Gucci. Daí você sai prá jantar com ele. (Eu tenho todas essas roupas e adoro, eu estou de maldade com você prá dizer o que quero), mas vamos voltar à cena do jantar.. Você lá toda coberta de valores, se você for mais perua (no bom sentido), você vai ter ido ao cabelereiro, feito maquiagem, vai estar impecável, como um bisqui francês. Vai ter posto o seu perfume mais sedutor, ah isso sim, é indispensável..Lembro que saí com um menino lindo lindo lindo, ator de novela da Globo, mas que tinha alergia a perfume e gostava quando eu usava saião e rasteirinha hahahaha. Ele me pedia, "poxa, vai com aquela rasteirinha, não gosto muito de salto", hahaha, uma vez eu coloquei uma sandalinha com um saltinho de 3 dedos, bem simples, com o pé todo de fora, prá mim aquilo ja era rasteirinha, ele disse, "não, isso é sapato de salto". Que engraçado, as pessoas são muito diferentes, eu gosto de observar essa diversidade. Mas o jantar meu Deus...imagine o custo disso tudo, perfume, cabelereiro, cremes, a roupa toda, a bolsa!!!! Ai que coisa maravilhosa, escolher a bolsa prá sair, adoro..
Mas ninguém percebeu ainda a visão do sujeito que estará do outro lado da mesa, como será que ele vê tudo isso? Nós mulheres somos tão mutantes, por isso que os homens não entendem direito. Lembra de Chico Buarque dizendo que se algum homem aprontava algo errado era mau carater etc e se uma mulher fizesse algo também errado, já era mais perdoada e aceita porque era mulher e mulher tem dessas coisas, surta e pira. Eu não lembro exatamente suas palavras mas lembro que o sentido era esse, de que as mulheres, por serem seres mais frágeis e enigmáticos, são mais perdoadas pelos homens, pelo menos pelo Chico. Fico aliviada. ;)

Foto: Essa foto foi feita pelo meu marido e o fotografo é o Pedro Botelho, que é meu amigo há milênios e eu adoro ele.

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