Foto: Em Kyoto gravando com a professora das gueixas. Fizemos samplers a partis dessas gravações e usamos em várias faixas do novo CD. Ela chama-se Momizuro e está tocando um shimansen. Ela ensina as aspirantes à gueixa a dançar e tocar. Faz isso sua vida toda.
sábado, 27 de abril de 2013
Syracuse e Japão
Por isso que foi tão difícil gravar Syracuse. Ela já tem uma versão perfeita e prá dificultar mais ainda, a versão é em voz e violão. Pura e simples. Divina. Mas essa gueixa não passa por aí, ela vai mais longe. Foi para a Ásia tentar uma vida melhor, foi atrás de seus sonhos, de sua identidade. Eu também fui à Asia. Pisei no Japão as lágrimas britavam e pulavam dos meus olhos, só consegui fazer parar porque fiquei com medo da alfandega, de ser interrogada pelo porquê da emoção. Engraçado que tem certos lugares que você simplesmente se identifica e gosta. Esse amor pelo Japão não é antigo não. Pela cultura asiática sim, mas especificamente cultura a japonesa, foi se mostrando de acordo com o crescimento da história mas, já começando pelo seu nome, Gueixa Tropical, existe uma necessidade vital de se reportar ao Japão e suas tradições. E quando cheguei lá vi uma nação interira agindo budísticamente, isso que me impressionou. Senti mais esperança pela raça humana, agindo em conjunto e sendo civilizada dessa maneira. De todas as civilizações que conheci, a japonesa é a mais sutil, mais educada e delicada. Os latinos são carinhosos também, também são quentes, os japoneses não são frios não, como eu imaginava, eles prestam atenção em você e te respeitam como indivíduo, e isso é o ápice da cultura deles. Eles mesmos. No presente, no dia a dia, são seres muito sensíveis e atentos. Cada um de uma maneira. Você entra no metrô e sente uma coisa muito doida, que cada um tem seu mundo particular, que são pessoas únicas e não pertencem a guetos, não digo que guetos e yakuzas não existam, mas senti que cada um está em sua bolha particular, de cor e expressão, dos mesmos olhos puxados, tão diversos, mas a gente distingue o povo todo como uma nação forte e unida. Acho que o respeito ao outro ali atingiu um nível muito alto a ponto de cada um sentir confortável com seu micro universo e assim, eles realmente se mostram mais felizes e seguros de si. Achei-os um pouco infantilizados demais, mas ainda não encontrei uma conexão desse fato com a evolução espiritual da raça, mas deve ter. Se essa gueixa passeia pelo paraíso oriental, ou pelo menos sonha com ele e nele se refugia, essa música é a representação desse sonho. Ela reporta uma floresta quente e úmida, repleta das flores mais lindas, especialmente as orquídeas selvagens e damas da noite. A brisa mansa que passa sem assustar. Mas Syracuse é uma cidade a beira mar, também estive lá, toda de mármore branco, fui no verão, era um calor cão, mas vi as gaivotas e cormorões, senti o clima todo. No nosso caso essa Syracuse é um pouco mais selvagem, certamente mais tropical, tem mar, tem a brisa, tem a gaivota, não faço questão do cormorão, trocaria por beija-flores e pássaros cantores, as aves do paraíso encheriam os galhos de árvores floridas, num jardim magnífico a beira da floresta, ainda existiriam aqueles seres, nem pensa em gnomo!, mas aqueles seres do Avatar lembra? Que se moviam e brilhavam. Não, acho que não eram seres, eram partículas vegetais, luminosas, ou até mesmo flor ou folha que desgrudava de uma árvore, agora lembrei!!! Ufa, a árvore que era como se fosse a alma da floresta, não era isso? Tipo uma unha de gato cintilante e levinha. Coloca um negócio desse na minha frente eu fico igual a um gato procurando pegar a sombra refletida na parede, ou ponto luminoso. A gente constrói fortalezas e nossa volta, mas não são fortalezas, são só muros, porque nunca são completamente fechadas, como uma cidade murada que tem algumas entradas. Nós cercamos tão bem com muros de um lado e do outro somos mortalmente vulneráveis. Não sei se isso me causa mais segurança ou mais insegurança. De como isso influencia meu coração, acho que é normal, todo mundo sente isso. Mas eu tô escrevendo isso desde o começo prá dizer que fizemos a música sim, o arranjo conta com instrumentos asiáticos, samplers, barulhos que gravei no Japão misturados com instrumentos indígenas, flautas e tambores, que o Carlos Malta e o Marquinho Lobo gravaram. É um ópio. Um remédio prá qualquer dor.
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