segunda-feira, 15 de abril de 2013

debussy, cirurgia, cheguei tarde

claire de lune, debussy. um monte de coisa prá falar, escrever, mas quando ouço isso minha atenção desvia e é tudo tão certo, o que eu sinto e toca numa verdade universal, coletiva e sem palavras, a lua nasce em meu olhos, e o que eu ia escrever e já não sei mais do meu passado, o que foi o dia de hoje. eu sinto vontade de falar de como as coisas mudam de uma hora prá outra mas essa música tão bonita, trilha do dia que passou. mas não importa, as notas, emoção na música, parece um final perfeito para um domingo dramático. espero que ela esteja bem, a minha amiga tão querida que passei o dia junto, com ela e a irmã dela, comeu um champingnon de paris com creme de leite e tomou uma garrafa de vinho. passou mal de madrugada porque não te contei que ela foi operada na quinta e quando liguei na sexta ja estava na farmácia indo prá casa. no sábado ela achou que era festa e mandou ver. a mulher é um cavalo, ela abriu uma das conservas que ela trouxe de paris no começo do ano. deus me livre, não caiu bem. aquilo junto com o vinho, rio de janeiro, calor, remédio, ponto da cirurgia, ah sim, ela fez uma retirada de útero, ovário, trompa, que já estava para ser feita há muito tempo e finalmente ela marcou o dia da operação. mas ela tá de olho em paris, que já está com passagem comprada pro dia onze de maio, se não me engano, ela morou anos por lá, vai sempre e adora o mês de maio em paris. mas agora está lá no hospital, depois de um dia todo agonizando feito um cão, na cama, deixei ela lá, com a irmã coitada. eu estava na emergência do hospital copador. sabe que achei ótimo lá, gostei da maneira que fomos tratadas, senti profissionalismo, tive uma boa impressão. mas é uma realidade que você não quer estar num domingo.
.
a noite passou e ela teve que ser operada de emergência de novo. acabei de falar com a irmã dela, teve diverticulite aguda, tirou pólipos e um pedaço do intestino. resumindo, to com medo de perder minha amiga. se estivesse ido la no sábado, como combinado, todo mundo teria tomado os sucos, ingerido vida, eu ia fazer as compras e levar tudo verde e vivo prá casa dela, mas fiquei em casa, tava cansada da viagem, caiu um temporal, ela não estava sozinha, estava com a irmã e uma amiga, então relaxei em casa, e fiquei fazendo as coisas prá levar dia seguinte. fiz um purê de inhame e uma sopa com todos os legumes possíveis, aquela de bebê, e separei o caldo que vai servir de base para alguns molhos de salada, vou dar a receita assim que conseguir e fizer, pois gravei no meu iphone as receitas que o zé, chef do spa, me contou finalmente! eu fiquei anos prá descobrir e eles são difíceis de dar a receita. os molhos de salada são espetaculares e levam pouco ou nada de azeite. tem molho básico de manjericão, cebola, tahine, agridoce, abacate...conforme for fazendo, digo aqui.

gente, eu não saio cozinhando assim, mas eu sabia que tinha que fazer alguma coisa ali. a fruta que ela tinha eram alguns limões e um suco de laranja, de caixinha. por isso, sinto culpa de ter chegado tarde. a casa dela está uma floresta, os cheiros de frutas e legumes invadem a casa. é incrivel como muda a energia de um lugar. tá tudo lá e ela de novo no hospital. o que adiantou. cada dia mais eu vejo e comprovo que a humanidadde está doente e come porcamente. mas é uma delícia e então prá não ficar maluca eu resolvi viver assim, escolho uma ou duas vezes na semana que quero comer do modo antigo e realizo minhas vontades. ontem, depois de tudo, fui ao mr. lam, num date romantico com meu marido. foi tudo de bom e tomamos um vinho maravilhoso. e assim caminha a humanidade..

Nenhum comentário:

Postar um comentário