sexta-feira, 26 de abril de 2013

Sopro, medo e pedra da Gávea

As vezes eu penso que de nada adiantou aquele sopro na mão do guia, quando eu tinha sete anos, no terreiro da Madrinha. Eu tinha medo e estava dentro do congá, mas o que eu estava fazendo ali? Vieram me chamar, sopra minha mão menina, você não vai ter mais medo. Fecho os olhos. Estou pendurada na Carrasqueira, dá um google prá saber melhor, uma pedra que tem que ser escalada prá chegar ao topo da pedra da Gávea. Topo do mundo. A cabeça do gigante. De um colorido que só quem chega de madrugada vê. Porque começa pálido e vai aumentando a luz e a cor do dia vai se intensificando. Mas e prá descer? Que já é dia, a gente vê o precipício, estamos tão alto, só de escrever eu já tô perdendo a fala. E começo a arfar. Nunca mais vou subir a pedra da Gávea, prometi prá mim mesma, é punk. Uma subida de madrugada, aonde que fui aceitar o convite da Elza?! E foram onze pessoas! Mas vou dizer que foi incrivel. Entrar na mata de madrugada, o dia foi escolhido porque a lua estava cheia e ilumiava o caminho dos que nem lanterna usavam. Eu levei a luz do meu celular. O barulho da mata, tudo é vivo e intenso. É uma subida viu! Mas eu só percebi que usava minhas unhas francesas, naturais por favor, quando as cravei na pedra na Carrasqueira, voltei prá casa cheia de musgo embaixo da unha, depois ria sozinha, limpando no banho. Mas esse é o medo que eu também sinto ao me puxar prá frente para superar novos desafios. Medo do futuro e das coisas que ainda não se sabe. Não é um medo tão intenso como foi nesse dia da escalada, mas ele existe na sua centelha, sobe pela minha espinha, arde e borbulha como refrigerante dentro de mim. As vezes irradia até a ponta dos dedos e tenho que sacudir as mãos prá me livrar do excesso. Esse frio na barriga intenso que é nossa prova maior de vida, uma adrenalina danada.

Fotos: Foras as fotos desse dia. Claro que nem de perto mostra o tamanho do que foi toda a experiência. Mas dá um gostinho



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