quarta-feira, 31 de julho de 2013

Ame-se


Abro aqui o computador, no vôo entre Nápole e Londres e dou de cara com uma página no word, aberta com os tons do CD secreto do BM, que estou gravando. É um tom escrito fora do parenteses, que tirei com Fernando, e mais dois tons escritos, dentro dos parenteses, que tirei com o Felipe Abreu, preparador vocal e amigo que adoro. Felipe é um pouco como eu. Eu reconheço essa loucura virginiana, que quer ver tudo perfeito, como se isso fosse possível. Não, não é possível sempre se acertar o tom de uma música, principalmente se ela for inédita, e mais ainda, se a cantora canta afinadamente em três tons diferentes, ninguém merece!! Sou eu. Sem querer, eu deixo todo mundo doido numa discussão de tons..Na primeira gravação de Adeus, parceria inédita de João Donato, o tom que gravamos, ao final, achamos alto, para a música. Para o tema que era. Não que estivesse errado, cantado um tom acima, foi tudo correto, ele próprio (João) gravou, mas sembrava comme una ragazzina cantante, e, pelo amor de deus, é uma música profunda de despedida, não me vem com ragazzina, ficou alto, todos perceberam. Felipe ficou enlouquecido e tenta se explicar até hoje porque isso aconteceu. –“Você tem uma extenção grande de voz.” Fico sem graça, veja só como é a vida.. Ele diz que isso não acontece frequentemente, que, geralmente os cantores cantam num tom só e dão graças a Deus quando o encontram, levando bem cantando bem a canção durante toda música. Fico meio sem jeito, pois não quero causar problemas, preciso mesmo, é arranjar solucões! Mas nessa hora sinto-me comme numa cantina Napolitana, - “aqui tem prá todos o gostos, são vários os pratos”, difícil não se perder.

Agora nesse avião um cheiro de alho insuportável, e olha que estamos na primeira classe de um vôo que nem sei que tem primeira classe. Na Europa é assim, os vôos são rapidinhos, nem dá tempo de dormir, relaxar, o dia ficar noite e ver um filme, ou dois..

Nesses dias a Capri, nem sei o que pensar pois me dá um transe ainda ao recorrer às palavras.  É tudo tão bonito ali, é tão … não sei dizer, sei que enche meu coração de paz, ainda mais paz. Ontem despedi-me da ilha, entrando na grotta azzura, e cantei por duas vezes meu novo CD dentro da água. Passa das cinco horas da tarde e os barcos com turistas vão-se embora e sobra tudo aquilo prá mim. Ali, aonde o céu vira mar e eu me sinto mais em casa. Meu corpo fica prateado, num ton azulado, é de chorar de lindo. Canto como uma benção, para dar sorte, para chegar nas pessoas certas, que serão confortadas com meu trabalho. Porque é isso que eu quero. Eu quero que as pessoas amem como eu amo.

 Esse cheiro de alho, tipo um refogado, acho que estou numa cozinha de um refeitório qualquer, acho que não é comida só para o comandante, é para nós, abastados da primeira classe, que não e primeira classe. Passei os olhos numa revista de bordo, e vi o anuncio da Emirates, com uma moça linda e loura, laying down at a very confortable room, it’s not only a big chair, it’s really a room, ou melhor, um casulo, a primeira classe dessa companhia aérea. Eu já agradeço a Deus de ter estado nessa business indo para Tokio. Inacreditavel. Eu gosto dessas coisas e graças a Deus, tenho um marido que gosta também.

Veio um salmon prá gente, eles ofereceram um chiken or um peixe, isso era o motivo do horroroso cheiro de alho. Lógico que eu escolhi o salmon, pelo amor de Deus.
Bom viu? To comento e tomando meu segundo chardonnay. Mas agora eu dei prá pensar no bicho. No salmon, himself. Ele morto, por nós. Por mim. E penso que nessa era, mais prá frente, isso vai mudar. Ainda estamos na transição literal da era de peixes para a era de Aquário, Literalmente…hahahaha
As bees, parecem dois Tim-Tins, são inglesas, falam com aquele sotaque todo, e nos ofereceram o lunch aqui no avião. É por isso que estou na transição do italiano para o inglês em pleno vôo, misturando as líguas. Sou completamente mimética. São lindos os meninos. E descubro que sou viado também, Hahahaha..

Eu gostaria muito que a elite cultural fosse a mesma da elite financeira desse mundo. Tenho um pouco de aflição em ver um velho estúpido, ou fútil. É uma vida desperdiçada afinal, penso eu, no alto do eu sofrimento e falta de paciência. Agora eles me oferecem chá! Imagine, nem acabei de comer, já enfio um pedaço do corpo daquele animal Rosado da boca, e me oferecem um chá! Áh mundo, como falta ainda desenvolver. Dái me perguntam se quero filhos…botar um filho no mundo e passer pelo que eu passei…meu Deus do céu, aguentar esse disparate, essa diferença brutal de … do quê mesmo? De tudo! Gente diferente demais, conviver com a injustice, as tragédias do mundo, áh não, credo, nem eu mereco isso. Páh, e mando mais uma garfada do salmon prá dentro de mim. Uma vida que se foi, uma proteína, veja só, fica mais “leve” se pensar assim ah, é só um salmonzinho….

Ái, derrubo a manteiga no chão! Que merda! Tenho que prestart atenção prá não pisar em cima…kkkkk. O Tin tin veio pegar meu prato e já me deu uma vontade danada de fazer xixi.  Mas só penso em encontrar meu marido. Ele estava pasando o fds na França e veio me encontrar em Londres, está morrendo de saudades, me diz,. Ontem no jantar, me mandou uma mensagem chotando de saudade, dizendo que tinha me ouvido cantar no youtube e ficou emocionado. Eu tive certeza de que tinha bebido e estava bêbado. Hahaha. Amo ele, porque ele é parecido comigo, nos valores e sentimentos. Eu acho que foi mais sortudo do que eu, é certamente muito mais amado do que eu, eu vejo em sua família, como é valorizado, respeitado, amado. Eu in vece, sou repudiada e não sei se a desafortunata fui eu ou foram eles. Foram eles. Nesse mundo pobre de amor, as pessoas escolhem a quem dar seu piccolo regalo. Vou te dizr que meu regalo para esse mundo chama-se Gueixa Tropical. Talvez seja o maior dos presentes poise le instiga a procurarmos o que temos de mais nobre, que é o nosso próprio amor. Sentir-se amado é uma maravilha, um milagre que faz qualquer um ser mais feliz.
É difíci viver num mundo mediocre, te envolvendo, e, se você não tomar muito cuidado, você pode ser envolvido pore le, e quando vê, já está sofrendo, sentindo-se o cocô do cavalo do bandido. Péssimo, nada pode ser mais terrível do que sentir-se só nesse mundo. Ficamos miseráveis, e não conseguimos dar o melhor de nós para ninguém. Porque a melhor coisa do mundo é ser inteiro e dar-se por inteiro e passer por cima dessa mediocridade tão comum. Sei que conselho é ridículo e um saco,, mas,  prá você não morrer um velho inútil e rico, procurando se achar alguém, mas no fundo, inseguro e ainda querendo se encontrar, talvez nos braços de uma jovem de carne dura, ou de um forte rapaz, numa piscina de um hotel cinco estrelas, ame-se. Só isso. 

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Ciao Italia! :)


Uma das melhores sensações da minha vida é terminar um trabalho e ver que realmente dei o melhor de mim. Acabei, a tampa está fechada. Coisa boa é receber um elogio da sua assessoria de imprensa, nossa que trabalho bonito, as imagens bem cuidadas, parte gráfica bonita, que músicas! Como você conseguiu trabalhar com tanta gente especial?

Já é meu segundo CD e venho trabalhando com meus mestres, ou aqueles que me inspiram. É o mínimo que posso fazer por mim, pela minha familia e pelos meus. queridos, já que não enriqueci  materialmente com eles. O dinheiro tem um elo muito forte com o livre arbítrio, pois as pessoas são escravas dele. Eu sou escrava dos meus sonhos. Transformei minha vida contada por um alter ego e isso foi um alívio. Quando alguma coisa é  ruim e você não tem como mudar porque é maior que você, e se sobreviver, você tem que fazer alguma coisa com ela. Não pode deixar que essa “coisa” fique morando em você, atrás de algum sentiment e vire algo muito maior do que é. Eu tento transformar isso em música, é minha maneira de oxigenar, de fazer fotossíntese e transmutar a tristeza em alegria. Mas se fizesse um trabalho ruim, ia ser pior ainda. Eu viva, iria virar pó, não iria ser perdoada nunca.

Há pouco tempo estive na casa do Guilherme Guimarães e achei de um bom gosto tão incrivel, que perguntei prá ele por quê que ele não decorava ambientes também, ele me disse: simples, porque aqui no Brasil as pessoas tem um defeito muito grande: além da inveja, se você faz mais de uma coisa, se eu que sou costureiro, começar a decorar casas, vão dizer que não dei certo na costura, depois de 50 anos, minha carreira acabou, então não posso, simplesmente por isso. Essas pessoas esperam atentamente você dar um único e pequeno escorregão pra te condenarem e acabar com você. Eu pensei na hora, que merda de mundo que eu vivo porque é a pura verdade, e completei: e se for bem nascido ainda, então não pode mesmo, inaceitável, tem que mandar matar. Sou formada em design gráfico, com 27 anos tinha conquistado com dois trabalhos diferentes, medalha de bronze do maior concurso de qualidade gráfica do mundo, com um livro duplo sobre a coleção de arte egípcia do museu do Louvre, umas 400 paginas, que, em meu segredo, fiz o design das páginas lembrando de Aladim e sua lãmpada mágica. Depois o maior premio do Brasil  com um trabalho sobre a vida de Napoleão, a peça que ganhou foi o contive que virava um poster. Eu amo design mas se fizer alarde e disser que também trabalho nisso, minha carreira de cantora já era. Mau sabem essas pessoas que tudo é música. Cada página daquele livro é música, as curvas dos parágrafos, as cores, o dourado que serpenteia todo trabalho. A música está absolutamente em todo lugar, a começar dentro da gente. As curvas e nuances das montanhas do Rio de Janeiro não me deixam mentir.

Mesmo lutando, cada vez mais tenho preguiça desse mundo. Graças a Deus não procuro mais construir laços e colher alguma coisa que não foi e deveria ter sido plantada no passado. Se não criou raízes era porque não era bom. É muito simples e muito claro, demora prá cair a ficha mas é ótimo aceitar que ninguém é obrigado a gostar de você e vice-versa. Que coisa doida mas é. Aqui é tão pobre de amor que as pessoas escolhem prá quem elas o vão dar. E quando dão! Na verdade eu sinto é uma falta danada desse lugar que eu me conecto e sinto a energia parecida com a minha. Tenho saudade dos meninos celestes, daquele carinho que não tem fim, da felicidade falada com os olhos, do amor transcendental.  É claro que eu me pergunto por quê eu sou assim e mais ainda, o que que eu tô fazendo aqui, nessa terra de bang-bang, onde as pessoas ainda são hiper preconceituosas e por isso sofrem tanto. Quer maldade maior do que a burrice? Do que a feiura? Do que ser sozinho justamente nesse mundo? E os defeitos! Por quê meu Deus, tanta superação!? Eu vejo gente sofrer, alias nós vemos, todos os dias, nos jornais e TV, os amigos, não importa se é rico, pobre, preto, branco, amarelo, as pessoas sofrem pra burro (eu inclusive)! Deve ser confuso de entender se eu te disser que sou, de longe,  uma das pessoas mais felizes que conheço, tirando os psychos que não diferem o que é certo e o que é errado e por isso acham sempre que estão fazendo a coisa certa e acham que isso é felicidade. Mas prá eles é mesmo.
Ciao Italia!
Estou de férias..

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Dia legal, Tigra e Chá do Nizan.

Pronto agora eu posso parar e escrever alguma coisa, já que a insônia chegou outra vez. Posso parar e escrever não por causa da insônia, também, mas muito mais pelo fato de estar terminando um email para o pessoal da ... não quero falar o nome da empresa, é uma empresa,  porque é chato isso, a gente não pode falar senão não dá certo, esse mundo é inacreditável mas a  gente vive nele. Eu tava acabando de escrever uma reposta para o gerente de marketing, acho que ele é isso, Sergio, que mandou escrito na resposta no email de apresentação do meu trabalho que esse tipo de iniciativa não faz parte de nossa plataforma de apoios, escrevi de volta, mas quê projeto?, de qualquer maneira mando em anexo agora o projeto para o senhor ter pelo menos uma idéia do que se trata. É diferente mesmo. Eu escrevo um blog, aliás, escrevi um blog falando dessse trabalho o gueixatropical.blogspot.com.br mas ele acabou porque a história chegou ao fim. Tá basicamente tudo lá, tirando as minhas loucuras de escrever muita coisa minha também, nessas horas eu já misturava tudo, usava a Gueixa para desabafar, ou viajar, sei lá, eu sou um cavalo de gueixa, o criador e a criatura ela mesma. E as vezes não sou nada também, só fico olhando. Daí que acabei de escrever a resposta prá esse homem, eu gostei dele. Ele me respondeu de volta, haha, se corrigindo, que o projeto falava de música e tal, nem lembro mais, só lembro do final que ele disse o que eu queria ouvir: vou olhar o projeto e qualquer coisa te retorno. Aí não aguentei e escrevi algumas linhas e mandei mais um mp3 inédito em anexo com a parceria minha e da Tigra, We are in love. Essa música eu chorei quando ouvi pronta. Eu choro por tudo, mas enre todas do meu CD eu fui chorar com essa. Minha amiga Tigra ingrata que foi embora de volta prá Pelotas. Não tenho outra Tigra, aliás já não tinha a Tigra nem mesmo morado aqui. Ela foi sumido, foi ficando muito brava e com raiva do mundo. Tigra foi embora mas deixamos essa canção que fala do amor. O amor que une as pessoas, o amor da camaradagem, da amizade. Do ombro amigo. O engraçado da coisa é que eu sou uma coisa e ela é outra. Vim de um mundo, me visto dessa maneira, ela é o contrário, ou parece ser, de mim. E fomos grandes amigas assim. Não tive uma companheira de tigragem melhor que a Tigra, aliás tive sim, algumas, mas não deram nome ao verbo. E as tigragens com a Tigra eram especiais. Fiz um chá. Já que eu tô com insônia mesmo, um saco porque acordei cedo e malhei logo de manhã e até meio dia você não acredita na quantidade de coisas que eu fiz. Nem eu acreditei, hoje bati um recorde. Porque foi um dia muito legal. Fui focada e cumpri todas as metas, até o pé eu fiz, no Spá do pé, com as máquinas todas, parece um dentista de pé. É um pouco aflitivo mas vira um vício. A flor do chá abriu e está quente demais para tomar. Eu que não sou besta peguei um copinho mini, os japoneses também tomam assim, de pouquinho, como saquê. E coloquei um pouquinho de chá ali prá esfriar. Abri o armário mas é uma quantidade de chá inacreditável, prá que isso?, que eu trago das viagens, mas é cada chá bonito, colorido, e de flores, que comprei no Harrod's, no Japão, naquela avenida chiquérrima com todas as lojas, no mercado d'epices em Istambul, em São Paulo no Iguatemi. Esse chá que eu tô tomando é do Nizan. Esse eu comprei na loja em Tokyo, da avenida chic. Mas não consegui dar o chá pra ele, em agradecimento por ele ter feito Love in Xangai prá mim, porque ele não estava na casa dele no Rio, e houve um desencontro qualquer que o chá não chegou no destino final. E aqui estou eu, com insônia, amando o chá do Nizan, e ainda tenho uma outra lata no armário. A flor é uma beleza! Tenho um bule, aliás dois bules, de cristal então vejo a flor se abrindo lá dentro, que coisa bonita, isso é bem do japonês. Essa sutileza de cores. A cor da água que ficou meio apessegada, o gosto, já tomei três copinhos rs. Mas o sono chegou, graças a Deus. Tudo que é maravilhoso é deitar agora e dormir o sono dos justos, que dia legal que tive. Boa noite.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Selvagem chapada

O que me fez levantar no meio da noite e escrever alguma coisa foi a mistura de sentimentos dentro do meu coração. Os ajustes sentimentais que foram discutidos nesses dias aqui, uma intensidade maluca, encontros que precisavam acontecer, que lugar é esse meu Deus! Eu to falando de um solo de cristal no meio do Brasil. Vim parar aqui porque meu marido tem casa e escritório em Brasília, já conhecia a região pois vim algumas vezes no sitio bonito que a Maria Paula tem por aqui. Mas no caso da região dela é no caminho de São Jorge, cidade onde fica a entrada do parque nacional da Chapada dos Veadeiros. É como se você fosse topar com um dinossauro logo ali. Uma vastidão que incomoda porque é muita. Agora abri a porta do quarto porque a mariposa gigante que estava presa no banheiro, se soltou pois deixei a porta aberta. Então abri a porta do quarto prá ver se ela sai. E desde cedo, quando deitei, ja pensando nessas coisas que nem contei ainda, olhei para uma amiga que virou duas. Aranhas. Do estilo bem clássico mesmo, pretas, corpudas, fortes, do tamanho do ok que a gente faz com o dedo. Ontem a noite era uma só mas agora já são duas pelo quarto, que já não é grande, além de uma outra pequenina andando pelo meu tapete de ioga esticado ao lado da cama. Centopéias no jardim, dezesseis cachorros, tudo numa ordem e limpeza beirando a militar. Minha amiga comanda a rotina desses bichos, fora alguns gatos lindos que andam pelo telhado da casa, naturalmente.

É muito bicho. Isso porque eu estou na cidade, em Alto Paraíso. Chegamos ontem a tardinha da fazenda dessa minha amiga. Mas esse lugar é um caso a parte. Mas antes de entrar nesse mundo selvagem, eu quero dizer que já sei porque acordei de madrugada, é saudade do Marido. E um incômodo no meu coração por saber que ele vem amanhã de Brasília prá cá, pilotando um avião. Ele adora isso. Eu sinto frio na barriga deitada, de imaginar meu amor voando pelos ares. Respiro fundo, olho em volta, esse mar de bichos sutis, procuro a mariposa gigante sem achar. Bom, já vi que essa não vai ser a melhor noite da minha vida.

Há pouco li o horóscopo da Susan Miller que incrivelmente fala de uma viagem mágica, então tenho mesmo é que aproveitar. Coisas de madrugada insône. Que Deus seja pai e traga meu amor prá cá com segurança, porque tenho medo que ele caia lá de cima. Mas daqui a pouco o sono me derruba. Porque ainda estou na plenitude desses dias que passaram, e ainda vem mais pro fim de semana, com meu marido. Foi uma experiência completa de encontro com a selvageria da natureza.

É diferente dos lugares da Chapada que conheci. Tem uma vastidão mas não é aberta, é fechada na mata, é como se fosse o cerne da gente. Entrei em contato com o verdadeiro ambiente onde moram, caçam, reproduzem, os maiores animais brasileiros. Rock punk na veia. A noite tinha medo de sair lá fora porque era muito barulho de bicho. Bicho andando prá tudo quanto é lado. As pegadas eram de veados mas poderiam também ser de cachorro do mato, que entrou no banheiro, por exemplo. As pegadas das antas, frescas, pesadas, eram maiores que a minha mão. Tirei fotos, tá no meu Instagram!
As cachoeiras, com pedras enormes, e cavernas, servem de morada prá varios animais. Tem um recanto  no coração da fazenda, que a cachoeira vira rio, ja tinha virado antes, perto do acampamento, mas lá é um rio parado, cristalino, na altura do joelho prá cintura, com as margens fechadas, ainda entramos pela mata dentro de um afluente, ainda encontramos argila para um banho. É de chorar de lindo.

Mas é claro que eu tinha medo! Eu moro no Leblon, que é uma outra selvageria. Foi a Carla que me encorajou. Essa menina amiga da minha amiga. Devo muito a ela essa minha experiência extra sensorial no meio da floresta. Eu não sabia diferenciar as pegadas, o Zé Vivo dizendo que o cocô de bicho que apareceu perto da compostagem era de cavalo, era nada, era de anta! Como que tem um cavalo ali? Daonde vem um cavalo, se o próximo vizinho é a mais de quinze kilometros de distância, tendo que atravessar vários rios, saltar, aliás, como os nativos dizem. Pegadas de onça, cachorro do mato, anta, um tráfego intenso de serpentes pelas trilhas, essas eu me assustei um pouco com a quantidade, libélulas amarelas, azuis, lilázes, douradas, enfeitando as cachoeiras. Algo surreal. Mas surreal também é o fato de saber nitidamente que estamos sendo observados como invasores por muitos olhos dentro da floresta. Eu me senti mau com isso, como se entrasse numa cidade em que os habitantes acabaram de fugir com medo ao me ver chegar. Fala serio. Mas realmente stou pensando se quero ir com Gustavo de volta prá lá esse final de semana. Não por isso mas porque lá é muito sem estrutura mesmo, sem luz, cozinha aberta, fogão a lenha, um gerador que ligava prá fazer o suco verde e carregar meu iphone e computador. E só. Bicho prá tudo quanto é lado, fogueira a noite. Mas eu tô sem ver meu marido há uma semana, eu quero é uma lugar hiper, triper confortável prá ninho. Aqui por perto tem tantas cachoeiras, vai ser maravilhoso reencontrar meu amor.










sábado, 27 de abril de 2013

Syracuse e Japão

Por isso que foi tão difícil gravar Syracuse. Ela já tem uma versão perfeita e prá dificultar mais ainda, a versão é em voz e violão. Pura e simples. Divina. Mas essa gueixa não passa por aí, ela vai mais longe. Foi para a Ásia tentar uma vida melhor, foi atrás de seus sonhos, de sua identidade. Eu também fui à Asia. Pisei no Japão as lágrimas britavam e pulavam dos meus olhos, só consegui fazer parar porque fiquei com medo da alfandega, de ser interrogada pelo porquê da emoção. Engraçado que tem certos lugares que você simplesmente se identifica e gosta. Esse amor pelo Japão não é antigo não. Pela cultura asiática sim, mas especificamente cultura a japonesa, foi se mostrando de acordo com o crescimento da história mas, já começando pelo seu nome, Gueixa Tropical, existe uma necessidade vital de se reportar ao Japão e suas tradições. E quando cheguei lá vi uma nação interira agindo budísticamente, isso que me impressionou. Senti mais esperança pela raça humana, agindo em conjunto e sendo civilizada dessa maneira. De todas as civilizações que conheci, a japonesa é a mais sutil, mais educada e delicada. Os latinos são carinhosos também, também são quentes, os japoneses não são frios não, como eu imaginava, eles prestam atenção em você e te respeitam como indivíduo, e isso é o ápice da cultura deles. Eles mesmos. No presente, no dia a dia, são seres muito sensíveis e atentos. Cada um de uma maneira. Você entra no metrô e sente uma coisa muito doida, que cada um tem seu mundo particular, que são pessoas únicas e não pertencem a guetos, não digo que guetos e yakuzas não existam, mas senti que cada um está em sua bolha particular, de cor e expressão, dos mesmos olhos puxados, tão diversos, mas a gente distingue o povo todo como uma nação forte e unida. Acho que o respeito ao outro ali atingiu um nível muito alto a ponto de cada um sentir confortável com seu micro universo e assim, eles realmente se mostram mais felizes e seguros de si. Achei-os um pouco infantilizados demais, mas ainda não encontrei uma conexão desse fato com a evolução espiritual da raça, mas deve ter. Se essa gueixa passeia pelo paraíso oriental, ou pelo menos sonha com ele e nele se refugia, essa música é a representação desse sonho. Ela reporta uma floresta quente e úmida, repleta das flores mais lindas, especialmente as orquídeas selvagens e damas da noite. A brisa mansa que passa sem assustar. Mas Syracuse é uma cidade a beira mar, também estive lá, toda de mármore branco, fui no verão, era um calor cão, mas vi as gaivotas e cormorões, senti o clima todo. No nosso caso essa Syracuse é um pouco mais selvagem, certamente mais tropical, tem mar, tem a brisa, tem a gaivota, não faço questão do cormorão, trocaria por beija-flores e pássaros cantores, as aves do paraíso encheriam os galhos de árvores floridas, num jardim magnífico a beira da floresta, ainda existiriam aqueles seres, nem pensa em gnomo!, mas aqueles seres do Avatar lembra? Que se moviam e brilhavam. Não, acho que não eram seres, eram partículas vegetais, luminosas, ou até mesmo flor ou folha que desgrudava de uma árvore, agora lembrei!!! Ufa, a árvore que era como se fosse a alma da floresta, não era isso? Tipo uma unha de gato cintilante e levinha. Coloca um negócio desse na minha frente eu fico igual a um gato procurando pegar a sombra refletida na parede, ou ponto luminoso. A gente constrói fortalezas e nossa volta, mas não são fortalezas, são só muros, porque nunca são completamente fechadas, como uma cidade murada que tem algumas entradas. Nós cercamos tão bem com muros de um lado e do outro somos mortalmente vulneráveis. Não sei se isso me causa mais segurança ou mais insegurança. De como isso influencia meu coração, acho que é normal, todo mundo sente isso. Mas eu tô escrevendo isso desde o começo prá dizer que fizemos a música sim, o arranjo conta com instrumentos asiáticos, samplers, barulhos que gravei no Japão misturados com instrumentos indígenas, flautas e tambores, que o Carlos Malta e o Marquinho Lobo gravaram. É um ópio. Um remédio prá qualquer dor.
Foto: Em Kyoto gravando com a professora das gueixas. Fizemos samplers a partis dessas gravações e usamos em várias faixas do novo CD. Ela chama-se Momizuro e está tocando um shimansen. Ela ensina as aspirantes à gueixa a dançar e tocar. Faz isso sua vida toda.

Syracuse, Moraes e o paraíso particular.

Ái e todas as fotinhos lindas no Instagram das meninas saradas, ainda tive coragem e abri o jornal, vi no caderno ela a materia da barriga tanquinho, e eu aqui explodindo, aquela sensação da cabeça querendo alargar, o Gustavo já foi caminhar na praia, o Claudinho Schleder, meu amigo de São paulo já ligou, está hospedado no Marinão, minha voz saiu rouca no telefone...o animal que mora dentro de mim urge  para a luz do dia mas meus olhos ficam apertados com tanta claridade. Mas gosto de ficar sozinha, gosto quando vem a vontade de sentar aqui e deixar sair alguma coisa. Isso também é detox. Levando à exaustão as questões você as desmistifica e, se o que não tem remédio remediado está, parece que me faz bem esse alívio de colocar as coisas prá fora, elas tem que ir embora, não podem grudar nas paredes do meu cérebro e servir de glúten intoxicante. O glútem gruda nas paredes do seu intestino, dizem, e forma uma camada que impede de você absorver os nutrientes dos alimentos. Estamos vivendo a época dos gordos desnutridos.

Mas mudando de alho para bugalhos, como gosto quando Moraes me pede prá cantar prá ele, canta aquela em françês, pediu outro dia, na mesa, depois do show do Totonho (Antonio Villeroy), ele tava com um casal amigo, que por acaso estudou na mesma sala que meu tio Fernando. Estão casados há 41 anos!! E se divertindo junto, isso foi o que achei mais legal, no final já estavam alucinados, acho que dividiram uma garrafa de vinho durante o show, e trocavam brincadeiras internas. O máximo! Vi até que ele arriscou uma dançinha, ela ria..Você chama isso de felicidade né? Adorei eles. Ontem eles também estavam lá, mas tiveram que ir embora de lá mesmo, e não continuar a noite como nós, aventureiros, porque também tava prá lá de Bagdá, contou Moraes, que ainda desculpou o amigo dizendo ele é meu parceiro há anos, tava empolgado, é diferente. Tudo bem, não perguntei nada. Ele quis que eu cantasse Syracuse para o casal. Quando ouço essa música fico inebriada, é como se um feitiço tomasse conta de mim. Foi dificílimo produzi-la porque ela só tocada no violão pelo Henri Salvador, quem gosta de música sabe quem é, eu até o conheci no dia de seu aniversário em Sanary Sur mer, durante um festival anual que Totonho produziu durante anos na França. Sim, no violão do Henri Salvador, do modo como ele tocava você ouvia os pássaros cantando, a onda morna de alguma praia tahitiana acarinhando seus pés, e principalmente a brisa mansa dos trópicos. Somente um violão e a voz dele, mocinho no clip. Se você pesquisar no youtube você vai achar, e só de ouvir, vai entender perfeitamente o que estou falando. É um video sépia e você vai ficando hipnotizado. Você vai querendo que o mundo páre, a floresta em frente de mim entra pela sala, o cheio da brisa fresca me envolve, vem uma felicidade calma. E lembro da minha amiga no hospital, na incubadora, nascendo para uma nova vida e sinto alguma pena desses momentos que um dia vou deixar de ter. Mas eu não queria parar agora pra fazer nada, nem os meninos chegando aqui e me levando prá praia, hoje é Sabado, meu marido está correndo no calçadão, vai encontrar com Claudinho, outro amigo que veio de São Paulo, está hospedado no Marinão, mas eu já disse isso no outro post, o fato é que, por mim eu não saía daqui. Imagina o que faria eu, ouvindo uma gravação dessa, em que só com uma voz e um violão eu pude ir para um paraíso tropical? A troco de quê eu gravaria isso? Para ter mais uma gravação bonita? Mais bonita do que a do Henri? Mas Syracuse é um paraíso aonde eu quero estar, é aonde bebo dos meus sonhos e fortifico os encantos. É a nascente do meu canto. Na história da Gueixa Tropical, ela vai  prá longe atrás de algo que pode estar em muitos lugares. Na hora em que é apresentada a música Syracuse, ela está triste. Está caminhando, voltando prá casa e é madrugada. Ela teve a pior noite de sua vida, sentiu-se abandonada e desvalorizada por quem mais amava. Foi escrachada, humilhada, agredida. E foi embora. Ela passa pela cidade sem movimento mas não queria estar ali. Então ela canta baixinho, fragilmente e acessa seu paraíso tropical particular, sua floresta oriental e chama por Syracuse, é lá que ela queria estar. Está sobre uma ponte mas que vida é essa que estou hoje aqui, sozinha, ela pensa. Mas não conclui, canta. Porque as vezes o canto é remédio também. Nessa hora a vida perdeu seu sentido e o rio que passa embaixo, ela mira esse rio, que diferença entre o rio e o céu? Sobe o rosto e mira as estrelas, continua cantando. Agora já não sente o peso de seu corpo, não sente mais peso. É como se flutuasse. Seu pedido foi atendido, eu não quero estar aqui, alguém ouviu o grito agudo de seu querer. Alguém ouviu e sorriu. Quando a gente sente isso, quer dizer que a mola do fim do poço finalmente zuniu você prá fora!





Foto: Do clipe que eu falei.









Sobre ontem a noite

Hoje meu nome é veneno. Minha cabeça está bamba e vai devagar de um lado pro outro. Meu marido dizendo calma, não vai ter arrependimento, olha prá frente, ontem já passou. Mas eu não consigo nem abrir os olhos, ainda estou totalmente de fogo. Você não sabe a farra que a gente fez ontem.. Ái minha cabeça. No carrinho do supermercado, ontem a tarde, era tudo orgânico e cana. Da próxima vez vou tirar foto, tava bonito. Na Segunda passada, saí do hospital tarde da noite e passei direto num Pão de Açucar no caminho de casa, tô na fila do caixa, o maluco atrás de mim dizendo, poxa..um dia eu chego lá..acho que ele ja tava cheio de cerveja na cabeça. Eu me virei sem entender mas quando bati o olho nas compras do sujeito, entendi. Nossa nem lembro direito o que tinha no carrinho, mas era muita lata, tinha uma caixa de pizza semi pronta, um refrigerante, umas embalagens bem coloridas, nada que houvesse um pingo de vida. Tudo processado. Depois você diz que contribui com o planeta, só o lixo que esse sujeito vai produzir ao comprar essas comidas processadas já é uma loucura, e nem lembro se tinha bicho no carrinho. Do jeito que a coisa ia, devia ter um frango sem ser orgânico, todo bombado de hormônios, ái credo. Prefiro comer saudável e quando enfiar o pé na jaca, beber caipirinha.




Foto: Do show do Moraes onte no Miranda, foi incrivel! E só o começo da noite...